FILMES
Nota da diretora

A rica iconografia produzida no período holandês brasileiro retratou o Brasil do século 17, como uma equipe de documentaristas contemporâneos. Os pintores, dirigidos pelo seu patrono Maurício de Nassau, representaram um país exótico e paradisíaco, e foi essa a primeira imagem visual do Brasil que o mundo conheceu. Passados quatro séculos, os mesmos adjetivos podem ser usados para definir o país de hoje. As paisagens e tipos humanos retratados pelos pintores Frans Post e Albert Eckhout inspiram a visão que temos de nós mesmos e a realização de um documentário.

 

Mas o principal motivo que me levou a esse tema foi a “saudade do Brasil holandês”. Definida pelo pesquisador Evaldo Cabral de Mello como “nostalgia nassoviana”, ela faz parte do mito que envolve essa peculiar e curta parte da história brasileira.

 

 

É comum ouvir que os europeus do norte são trabalhadores e empreendedores, enquanto que a colonização portuguesa nos legou a falta de organização e o subdesenvolvimento. O brasileiro, via de regra, maldiz seu colonizador, pois há a idéia de que poderíamos ter sido uma nação melhor se tivéssemos tido outro colonizador, mais humanista e menos predador. A presença holandesa no Nordeste reforça essa idéia, mormente na figura de Maurício de Nassau.

 

Comecei a questionar esse mito ao observar outras colônias holandesas. Nenhuma próspera. Por que então a saudade de um invasor?

 

 

Monica Schmiedt